Compartilhe por:

Compartilhe por:

Como dar o próximo passo quando nos sentimos perdidos?

Como dar o próximo passo quando nos sentimos perdidos?

A gente precisa ouvir os próximos conselhos.

Por Pedro Pirim Rodrigues, cofundador da Voz Futura

Há anos sou obcecado por esse lance de conhecer e conectar pessoas, questionar e tentar entender o porquê das coisas, porque fazemos o que fazemos e, de alguma forma ajudar a elevar o nosso nível de consciência em busca de auto-conhecimento, direcionamento e desenvolvimento pessoal, emocional, profissional, como se isso fosse ou pudesse me ajudar a ajudar as pessoas a chegarem em alguma conclusão. (Quanta obsessão)

Há tempos eu penso: o que é isso sobre o que estou pensando? Por que é isso? Por onde começo? Como eu começo? Com quem eu começo? Quando eu começo?

Anos se passaram e eu não comecei. Sempre faltava alguma coisa. Tempo, prioridade, foco, força de vontade. Talvez faltasse coragem. Me dei um milhão de desculpas sobre tudo que faltava enquanto me esquecia de pensar em tudo que eu já tinha. Já me ocorreu que eu nem soubesse o que eu procurava como a desculpa daquilo que me restava. Mas eu sei. No fundo eu sei. Sinto que sei. Bom, então se eu sei, por que eu não faço? 

Pensei nos formatos mas não tive certeza sobre nenhum. Pensei sobre o momento, mas nunca achei que era o certo. Qual é a melhor hora para começar algo novo, mudar de carreira, correr atrás de quem se ama? 

Eu teria dito a quem pergunta, mas nunca a mim mesmo, que a melhor hora é sempre o agora. Por que a gente não dá a si os próprios conselhos? Já disse a mim mesmo que não tinha tempo. Mas olha quanto tempo eu gastei só pensando em quanto tempo eu não tenho. Quanta coisa eu escrevi, quanta energia coloquei, a quantas pessoas eu perguntei procurando a certeza nos outros sobre coisas que não são delas, mas são particulares, individuais, minhas. E mesmo tendo a validação de todos ainda me convencia de que faltava alguma coisa.

O que é isso que eu não encontro? Qual é o próximo passo do que eu acho que não sei, mas daquilo que sinto que é meu mas que deixei perdido em algum canto, anotado em um caderno, preso na garganta, guardado em um espaço entre a vontade e o medo? Você pode até se sentir perdido, mas você não está sozinho. Meu convite aqui é pra você segurar na minha mão enquanto lê esse texto, respirar fundo e ler em voz alta pra você mesmo. 

Em algum momento da vida a gente perde o fio da própria narrativa e pra isso eu recomendo que vocês assistam esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=rsXHs5cbk_A . O problema não é se perder. O problema é achar que só você se perdeu, enquanto todo mundo ao seu redor parece saber exatamente pra onde está indo em um mundo de reels e stories de 15 segundos no qual todo mundo passa essa impressão, mas a real é só que as pessoas aprenderam a disfarçar melhor. Aprenderam a performar segurança, clareza e direção, enquanto por dentro também carregam dúvidas, dívidas, medos, planos e vontades engavetadas.

Talvez o próximo passo não seja encontrar uma grande resposta, mas criar pequenos movimentos. Coisas simples, quase banais, que devolvem a sensação de estar vivo e em contato com o mundo. Caminhar sem fone. Escrever sem intenção de publicar. Fazer algo novo sem transformar isso em projeto. Cozinhar, aprender um esporte, tocar um instrumento, frequentar um lugar diferente, puxar conversa com quem você normalmente não puxaria. Elogiar as pessoas sem esperar algo em troca. Mas o que isso tem a ver? O prazer, muitas vezes, vem antes da clareza de se saber – e não o contrário.

Outra boa prática é parar de tentar resolver tudo sozinho. A gente romantizou demais a autonomia e esqueceu que os humanos se organizam em bandos. O nosso grande diferencial é ser um ser social – vide o sucesso de redes sociais (rs). Pedir ajuda também é bom e não é sinal de fraqueza, é um jeito humano e honesto de buscar orientação. É bom ouvir o que os outros têm pra dizer mas é tão importante quanto falar em voz alta para ouvir o próprio pensamento ganhar forma. Terapia ajuda. Amizade ajuda. Mentoria ajuda. Um café honesto ajuda. Ninguém se encontra isolado – às vezes sim. Mas não em solidão, mas em solitude.

Diminua o barulho externo. Nem tudo que aparece na sua tela é um chamado. Nem toda vida que parece incrível é um convite. Comparação excessiva confunde mais do que orienta. Quando tudo parece possível, qualquer escolha vira perda e isso paralisa – a famosa máxima de “paralisia por análise excessiva”. Escolher menos, consumir menos, ouvir menos opiniões pode ser exatamente o espaço que faltava para escutar o que já estava aí dentro, tentando falar há tempos.

E talvez o ponto mais importante: não espere se sentir pronto. Clareza não costuma anteceder o movimento, ela é consequência dele. Atravessar o medo faz parte do processo. Errar também. Recomeçar, então, nem se fala. O próximo passo raramente é grandioso. Ele só precisa ser honesto. Pequeno. Possível. Seu. Se você está perdido, não se apresse em se achar. Às vezes, estar perdido é só o sinal de que uma versão antiga de você já não serve mais e uma nova ainda está sendo construída. Vá com cuidado. Vá com curiosidade. Vá acompanhado. E lembre-se: caminhar sem saber exatamente para onde… ainda é caminhar.

Mais conteúdos relacionados:

Mais conteúdos relacionados: