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Quando a fala trava, a vida não precisa travar junto

Quando a fala trava, a vida não precisa travar junto

Entrevista com João Gomes, jogador do Wolves e fundador do Instituto João Gomes.

João Gomes transformou uma dor antiga em uma ideia de futuro, e agora quer que outras crianças não cresçam achando que precisam se esconder para caber no mundo.

João descreve que a comunicação, para ele, nunca foi uma linha reta. Em alguns dias, sente que consegue falar sem medo, em outros, uma conversa simples parece virar obstáculo, e isso mexe com a forma como ele se expressa e com a forma como ele sente o mundo, especialmente quando a vida entra em altos e baixos.


“Eu acho que tem dias que eu vou tá bem, outros que eu acho que eu não vou poder fazer nada. E isso é, no caso, tanto na tanto na maneira que eu me expresso como na maneira que eu sinto em tudo, principalmente nas adversidades. Altos e baixos sempre.”

A experiência do João tem nome e é mais comum do que muita gente imagina. Estudos e serviços de saúde apontam que muitas crianças passam por fases de gagueira, e uma parte segue convivendo com a disfluência na vida adulta. Quando isso encontra vergonha, isolamento ou medo de julgamento, o impacto não é só na fala, ele pode atingir autoestima, relações e participação social.

“Como essa coragem de se expressar te mudou? Então, eu acho que eu passei a me cobrar menos. Óbvio que eu faço de tudo para eu ter uma fala mais fluída eu faço de tudo para mim comunicar melhor, mas eu acho que a partir do momento que nós aceitamos quem nós somos eu acho que fica mais fácil nós convivermos da maneira que nós somos, sem querer passar uma maquiagem e no caso passar pro mundo alguém que não é você realmente.”

Na mudança para a Inglaterra, ele coloca em palavras uma camada que muita gente esquece. Falar já era um desafio, e aí veio um novo idioma, com palavras novas e um outro mecanismo de fala, algo que ele descreve como uma das partes mais difíceis e, ao mesmo tempo, uma das que ele mais gosta, porque vira desafio, treino e conquista.

“Eu acho que a parte que mais é difícil é a parte que eu mais gosto. Outro idioma. Todas as palavras praticamente são novas outem que ter outro mecanismo de fala. Então, eu acho que essa é uma das partes mais difíceis e uma das partes que eu mais gosto, que é esse desafio do inglês.”

Quando o assunto é educação financeira, esse é um dos temas que João mais gosta de falar, porque a carreira de atleta é curta e, se não houver preparo, o risco de passar aperto depois é real.

“Eu acho que eu vou ter bastante dificuldade para entrar no mercado de trabalho. Então, eu tento sempre economizar o máximo de dinheiro possível pra no caso eu tá estável na hora que eu parar, até porque nós, nós temos uma carreira bastante curta em relações as demais profissões. Então, se tu não se preparar tem muito risco de no caso você tem que precisar entrar no mercado de trabalho. E eu, por eu ter essa dificuldade de se comunicar, pode ser que para mim seja um pouco mais difícil.”

Sobre o Instituto João Gomes, o projeto nasce com foco em crianças da rede pública e com uma proposta que vai além de “corrigir” a fala. Ele quer criar ferramentas e ambientes para identificação, acolhimento e desenvolvimento da comunicação, com ações como oficinas, círculos de diálogo, laboratórios de fala e atendimentos em grupo e individualizados.

“Tô bastante ansioso com esse novo projeto que é o meu Instituto.Já está tudo pronto. Então, espero poder impactar o máximo de pessoas possíveis e eu espero realmente fazer a diferença na sociedade, que isso é meu maior objetivo. E é isso.”

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