Compartilhe por:

Compartilhe por:

Reconstrua-se quantas vezes for necessário

Reconstrua-se quantas vezes for necessário

E lembre-se do que você veio fazer nessa vida!

Por Pedro Pirim Rodrigues, cofundador da Voz Futura

É comum que, depois de uma aula de yoga, a professora chame a turma até a parte da frente da sala para tirar uma carta de tarot ou alguma carta com uma mensagem de significado profundo.

É curioso como criamos esses rituais para validar coisas que já sentimos, mas que estão presas em algum lugar dentro de nós e que às vezes uma simples “mensagem do além” pode ajudar a destravar – levando em conta também que essa aula de yoga é feita numa sauna a +40 graus às 7h da manhã. Ou seja, você já está bem destravado e inclinado a desbloquear partes do seu corpo e das suas emoções que nem sempre são alcançáveis na correria do dia a dia. 

A carta que eu tirei dizia: “Reconstrua-se quantas vezes for necessário.”

Da mesma maneira que eu leio uma bula de remédio e acho que estou com todos os sintomas de qualquer doença, essa frase fez eu pensar que estava “quebrado”, precisando me reconstruir. Mas depois eu pensei que não. Que essa, na verdade, era só mais uma fase, um ciclo, uma viagem, uma parte de quebrar a casca do casulo, e dar um passo além na minha vida.

Recentemente o pai de um amigo faleceu e um amigo do meu pai ficou muito doente. Conversando com os dois (com meu pai e meu amigo), comecei a colocar tudo em perspectiva. É engraçado como essas coisas acontecem. A gente precisa levar um chute na cara da morte pra lembrar que existe vida. A morte vem, de maneira esperada ou inesperada. Então por que me parece que temos por vezes medo de viver? Quando digo “medo de viver” não é porque pensamos em morrer, mas na verdade porque não aproveitamos o que há de vida em cada segundo do presente existente? 

Se reconstruir me lembra da música do Emicida com o Gilberto Gil em que cantam: “Viver é partir, voltar e repartir”. Tem a ver com movimento. Construir, ressignificar, desconstruir. É sobre entender que a vida não é uma linha reta, muito menos um projeto fechado. É sobre aceitar que, ao longo do caminho, a gente muda de ideia, muda de desejo, muda de versão. Quantas pessoas cabem dentro de uma mesma pessoa ao longo da vida? Quantas versões nossas já morreram para que outras pudessem viver?

Dona Tânia Maria, atriz iniciante com quase 80 anos de idade, sendo indicada a uma das maiores premiações do cinema mundial. Alguém que provavelmente jamais imaginou que, nessa fase da vida, estaria vivendo algo assim. Isso me fez pensar no quanto a gente se limita cedo demais. No quanto achamos que “já passou o tempo”, que “era para ter sido antes”, que “agora não faz mais sentido”. Mas, faz (!!!) Enquanto a gente estiver vivo… faz. Então façam! Sem correria e sem pressa. Mas não deixem de fazer. Não deixem de acreditar, não deixem de sonhar. 

Se reconstruir é isso: adaptar-se às novas circunstâncias, atravessar dificuldades, recalcular rotas, aceitar que a vida exige flexibilidade e honestidade emocional. 

É importante viver com intenção. Fazer as coisas com intenção. Construir relações, projetos, ideias, histórias. Tudo com intenção. Não no sentido de grandiosidade. Não precisa ser um negócio “fodão” – como diria um chefe antigo – pode ser só com intenção. Boa intenção de preferência. Sem heroísmo. Na simplicidade. Às vezes, ela só aparece na forma como você trata alguém. No cuidado com o que você cria. No jeito como você escolhe não se tornar mais um repetidor automático de ruído, rolador de tela, e fazedor de coisas sem sentido.

E por mais que seja cansativo pensar em se reconstruir quantas vezes for necessário me parece uma boa pedida. Pra gente não se deixar cair na acomodação de que “sempre foi assim” então não vamos fazer nada pra mudar. Vamos fazer sim : ) Vamos mudar. Vamos agir. 

Vamos em frente que a vida é muito boa e é pra ser vivida. 

Mais conteúdos relacionados:

Mais conteúdos relacionados: