Por Giulia Amendola, diretora de conteúdo da Voz Futura
Voltei para terapia depois de um período parada. Por mais que eu seja uma grande advogada de sermos todos terapeutizados (que mundo maravilhoso teríamos, né?), eu tiro alguns momentos sem para perceber mais os meus avanços e atrasos quando não tenho esse apoio tão importante. Sempre muito organizada, quando virei o ano decidi que não queria ficar levando para a terapia como tinha sido minha semana (não que isso seja um problema) e sim trabalhar pontos específicos de incômodos que eu havia percebido recentemente.
Entre eles, o quanto eu deixo pequenas coisas me consumirem.
Digo deixo, porque eu queria entender mesmo de onde vem essa passividade para deixar algo me controlar.
E quando eu falo de consumir, é porque sinto mesmo como se a coisa fizesse eu pegar fogo e esse fogo depois fizesse eu virar cinza.
Fiquei pensando nessa palavra e o quanto ela pode ter diferentes sentidos. Por que eu não poderia deixar coisas legais me consumirem, como a vontade enlouquecida de parar meu dia para escrever ou ler ou de realizar umas das minhas metas desse ano?
Ao invés disso, me sinto presa em algumas mensagens de whatsapp que atravessam o meu dia (já falei disso em outra coluna), em comentários soltos e despropositados de amigos em uma roda de bar, que não saem da minha cabeça durante dias. Deixo coisas pouco importantes consumirem mais do que meu tempo ou paciência: sinto meu corpo responder ao cortisol elevado (cortisol é conhecido como o hormônio do estresse, ligado a entre outras coisas à regulação do metabolismo, do sono, da glicose no sangue, da pressão arterial, do sistema imunológico. Bem importante).
Enquanto sigo nessa investigação (sinto muito, ainda não tenho uma solução para isso), tenho tentado fazer o exercício de pensar no que seria legal ou minimamente positivo de se tornar uma razão de sair do eixo no dia a dia:
- ficar alucinada com o céu azul em dias bonitos
- me distrair com o bem-te-vi que me visita todas as manhãs na janela da minha sala
- gostar tanto do livro que eu tô lendo e não abrir mão dele durante o dia
- querer respeitar muito o horário de respostas para mensagens que coloquei no WhatsApp
- me empolgar com os projetos novos que eu tô tocando (que são muitos e bem legais!)
E por aí, o que você gostaria que te consumisse?


