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Surfar ou surtar com as ondas da internet? Eis a questão.

Surfar ou surtar com as ondas da internet? Eis a questão.

Nova coluna de Pedro Pirim.

Por Pedro Pirim Rodrigues, cofundador da Voz Futura.

Hoje de manhã fiquei tentando escrever e descrever o que eu sentia enquanto percorria a linha do tempo imaginária das mídias, as histórias dos stories, os threads, sequências e carrosséis de pessoas que na verdade são páginas e canais – todos virtuais.

Eu vi de tudo, mas não consegui sentir tudo. Afinal, são só 15 segundos. Beleza e desgraça, todas partes de um mesmo mundo. i-Mundo. Mundo inundado por humanos, todos nós, aparentemente sem rumo, todos sós.

Fui no Google pesquisar sobre Esquizofrenia Social porque foi um pouco assim que me senti. Não fui muito longe. Cliquei no primeiro link.

(Dependendo do que vcs andam olhando na internet o primeiro link pode ser diferente pra cada um. Tá bem?)

Matéria do Globo de 2014. Depoimento da socióloga Elza Padua. Na altura, o subtítulo indica que a socióloga “acredita que existam soluções”.

Procurei por referências mais recentes da Elza e não encontrei. Se alguém souber dela por favor me avise porque eu gostaria muito de conversar sobre as possíveis soluções. Afinal já estamos em 2026.

Eis o que ela-Elza diz: “A esquizofrenia social está muito ligada ao momento atual que vivemos. Fatos trágicos sempre existiram. Mas tivemos uma rápida expansão dos recursos de mídia pelos quais as pessoas se informam (como laptops, tablets e celulares que filmam). No passado, questões sensíveis poderiam jamais chegar ao público. O que não se conhecia não se sentia. Mas, hoje, essas questões podem ser conhecidas rapidamente pelos recursos da mídia. Essa sensação de proximidade cria inquietações que favorecem a esquizofrenia social.”

Na minha coluna anterior a essa eu tentei escrever sobre essa angústia de lidar com as frustrações do mundo que as vezes podem ser disfarçadas de distrações para lidarmos com as nossas próprias. Não sei se consegui me expressar tão bem quanto e como gostaria, então pra tentar me redimir de alguma forma comigo mesmo, trouxe aqui uma sugestão daquilo que eu acho que pode ser prático e saudável dentro desse tema.

Fato é que os problemas do mundo são grandes demais para conseguirmos resolver todos de uma vez, e para ajudarmos uns aos outros temos que conseguir pelo menos reconhecer e elaborar os nossos próprios. Como que eu vou ajudar o próximo se eu não consigo nem me ajudar primeiro? 

Vou deixar aqui algumas dicas do que ainda estou aprendendo e tem me ajudado bastante. Mas, antes de ir para as dicas, precisamos entender o porque estamos tão viciados na vida alheia, no uso das redes, porque as relações dos outros importam mais que as nossas. É preciso lembrar que quando a gente entra nas redes sociais a gente está automaticamente anestesiando o nosso corpo e nossa mente (deixando de sentir de verdade); evitando o silêncio necessário para escutarmos a nós mesmos, as nossas próprias necessidades, e o OUTRO (!!!), sim, aquela pessoa que está do seu lado na mesa, na cama e no sofá; preenchendo nossa sensação de solidão, quando ela poderia ser ressignificada em solitude; nos comparando com outras pessoas mesmo sabendo que aquilo é apenas um recorte, muitas vezes falso, do que é a vida real; nos sentindo pertencentes a algo que muitas vezes não é real; gerando dopamina barata e rápida com validação através de curtidas e comentários… ufa… é muita coisa (e ainda dava pra listar mais)

Sem tomar consciência disso, qualquer dica viraria apenas mais um “sistema de controle”, ao invés de uma prática com intenção. E olha, pra isso funcionar, intenção é uma das palavras-chave. 

Agora, a gente precisa se perguntar: “O que eu faço quando não estou no celular? O que eu sinto quando fico sem ele?” Eu fui me responder essas perguntas outro dia e me senti até meio idiota. Percebi que mal vivo sem o celular hoje e que sinto falta quanto estou sem. Como se fosse uma muleta para mim… 

Aqui não vou sugerir nada “radical”. Não gosto de nada que seja radical porque aqui não é um culto. E tudo que é radical tem o risco de se tornar pontual, consumir, cansar e depois falhar. Portanto, vamos de Práticas Simples: (não preveja uma lista enorme, são coisas simples, curtas e fáceis)

  • Assim que acordar 30 a 60min sem mídias sociais
  • Faça seu café da manhã sem tela
  • Faça uma meditação, caminhada, yoga ou prática esportiva longe do celular ou só com uma musiquinha mas sem ficar pegando nele o tempo todo
  • Diminuir o estímulo, para além do tempo
  • Deixar de seguir perfis que geram comparação e culpa
  • Transformar a rede em um lugar de pesquisa e consumo intencional, não automático

*Se você se sentir cansado, menor ou frustrado depois saiba que isso não é entretenimento, é apenas um algoritmo sugando a sua alma

  • Busque páginas que façam e promovam o bem. Que gerem reflexões e estímulos construtivos (Aqui na VOZ Futura por exemplo kkkk. Mas você também pode seguir a Vida Simples, a Querida Sanidade, o Futuro Sensível, a Kura – são nossas páginas amigas)
  • Troque o tempo de tela por uma caminhada sem fone, leitura física, escrita a mão (ou mesmo no computador pra trabalhar mais esses dedinhos)
  • Jardinagem, cozinhar, desenhar, atividade física sem estímulo audiovisual

*A gente precisa reaprender também que “ficar entediado” pode ser bom. Outro dia li sobre um estudo bizarro em que pessoas que foram deixadas sozinhas com um aparelho que dava choque preferiam se machucar do que fazendo nada: (depois vou escrever mais sobre isso) https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/07/estudo-mostra-que-pessoas-preferem-se-autopunir-ter-que-pensar.html

  • O tédio ou o ócio criativo (conceitos bem diferentes) podem ser ótimos!
  • Quando viajo de avião, carro e ônibus costumam ser os momentos que tenho minhas melhores ideias. 
  • No silêncio, a gente também aprende sobre nosso corpo, nossa mente, sobre quem está perto da gente. 

Importante que ao longo desse processo a gente se observe enquanto NÃO ESTAMOS no feed: 

  • O que estou sentindo agora fora da mídia social? 
  • Tem atributos físicos e emocionais? 

Fora das redes é imprescindível cuidar da saúde mental:
– Terapia (para quem e quando for possível). Mas existem clínicas sociais e centros que acolhem pessoas a preços mais acessíveis como o CEP https://centropsicanalise.com.br/

  • Conversas mais profundas 
  • Sono de qualidade 
  • Criar uma rotina de bem estar com uma boa alimentação, círculos sociais mais construtivos e acolhedores

Quando for possível, deixe o celular a uma distância segura. 

Você não precisa ser produtivo ou estar disponível o tempo todo para estar vivo. 


Vai descansar. 

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