Mariana Bezerra, diretora de produção da Voz Futura e mestra em Cultura e Comunicação
Ao longo da minha vida, sempre ouvi que eu era uma pessoa corajosa e sempre refleti muito sobre isso. Talvez porque migrei de país sozinha, e deixei tudo para trás, por duas vezes em idades consideradas tardias para a maioria das pessoas (principalmente mulheres, né?!), aos 31 e depois aos 39 anos? Não sei… O fato é que toda vez que alguém me diz isso, eu fico com uma pulga atrás da orelha: Sou mesmo corajosa?
Sempre que escuto a palavra “coragem”, vem junto uma sensação estranha de que a pessoa está, na verdade, dizendo que eu sou alguém sem medos e isso, definitivamente, não é verdade.
Então, vamos aprofundar o assunto? Se você procurar o significado da palavra coragem, vai encontrar algo parecido com: superar o medo. E talvez esteja aí a minha inquietação, porque eu sempre fui uma pessoa com muitos medos, como todo mundo, aliás. Inclusive você, que está aqui lendo essa coluna aqui comigo.
Foi aí que comecei a refletir com ainda mais profundidade:
É possível então ser corajosa e ter medo ao mesmo tempo?
Para mim, a coragem está muito mais ligada ao agir do que à ausência de medo. E o grande segredo, que pouca gente percebe, é que não existe esse dia tão sonhado e almejado em que o medo simplesmente desaparece. O que realmente acontece é você consegue agir com medo mesmo, sabendo que o coração vai palpitar, você vai sentir borboletas no estômago, as mãos vão suar, a voz vai embargar e por aí vai.
Medo e coragem não são sentimentos opostos, eles são complementares. Caminham ali juntinhos, de mãos dadas!
Então você (e ninguém) vai superar medos para depois agir. Você vai aprender a agir apesar deles.
E é exatamente isso que vai te tornar uma pessoa corajosa.Encarar seus medos e agor com medo mesmo.
Mas aqui faço um parêntese importante: esse tal “agir” não acontece apenas impulsionado pela coragem. O que realmente sustenta o agir é a auto-confiança. E essa, meus amigos, não surge do nada.
A autoconfiança dá um baita trabalho para ser construída no dia a dia!
Nas próximas colunas, quero trazer mais reflexões sobre esse tema.
Vamos juntos pensar sobre isso?

