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A construção do legado começa agora

A construção do legado começa agora

Conheça a história de Isa Abreu.

Por Giulia Amendola

Isa Abreu está vivendo uma das fases mais corajosas de sua carreira. Atleta olímpica do pentatlo moderno, ela decidiu começar de novo dentro do próprio esporte ao se dedicar a uma nova modalidade que estará nos próximos Jogos Olímpicos: a corrida de obstáculos, que substitui o hipismo. Mas Isa não apenas passou a treinar algo que nunca havia feito antes. Ela está construindo, com auxílio do governo do Paraná, a primeira pista de obstáculos reconhecida pela federação internacional no Brasil, em Curitiba, enquanto continua treinando natação, esgrima, atletismo e tiro esportivo no mais alto nível.

Nesta entrevista para a Voz Futura, Isa fala sobre risco, visão de longo prazo e a coragem de apostar em si mesma quando o caminho ainda não está desenhado. Entre desafios físicos, pressão emocional e decisões financeiras estratégicas, ela revela o que significa sustentar um sonho olímpico em um esporte que muda em tempo real, e por que, às vezes, a maior medalha é não desistir quando tudo exige que você recomece.

Como é carregar o peso de ser pioneira em uma modalidade olímpica completamente nova?

Eu estou muito tranquila com esse peso porque é completamente novo. A gente não tem essa modalidade no Brasil como em outros países, Estados Unidos e Polônia têm já uma história com a corrida de obstáculos. No Brasil, a gente ainda não tinha essa estrutura nem os atletas, então eu me sinto muito leve em abrir esse caminho e acredito que possa ser também um grande exemplo de mostrar como é possível um atleta um pouco mais velho aprender essa modalidade. Eu quando conheci o pentatlo moderno era uma modalidade completamente diferente há 10 anos atrás. Então acredito que o que vier aí pra frente pra mim hoje é muito lucro.

O que significa a construção da pista que pode transformar o pentatlo moderno no Brasil?

Significa fazer a diferença, um diferencial, porque eu me preocupei muito durante a minha carreira com questão de estrutura, de treino e hoje eu poder construir a pista com a ajuda do governo do Paraná faz com que os atletas mais novos não tenham que se preocupar com isso. Eles têm a estrutura, então que o único problema deles seja treinar. Eu nunca tive isso na minha carreira, eu sempre tive que me preocupar com muitas outras coisas, que talvez tiraram um pouco do meu foco, do meu desenvolvimento. Então eu quero fazer a diferença através da pista, proporcionando isso para os atletas mais novos, que eles realmente possam focar 100% das energias, dos pensamentos e do condicionamento deles no treino e não que eles fiquem pensando em outras variáveis como eu, como aconteceu comigo.

E a questão de transformação do pentatlo, essa modalidade nova da pista de obstáculo realmente veio para abranger as crianças, os atletas das categorias de base, porque o hipismo a gente só começava a fazer com 19 anos. Nessa modalidade, a gente começa a fazer bem mais novo e é uma coisa mais televisionável, mais midiática, que eu acredito que as crianças de hoje em dia gostam mais. Essa oportunidade que eu estou ajudando a dar para os atletas mais novos de treinar uma estrutura oficial, com as medidas certas, tudo que foi construído aqui, seja realmente o início dessa transformação do pentatlo, porque a gente já tem uma medalhista olímpica, que a gente possa ter muitos outros atletas olímpicos e medalhistas olímpicos.

Você já domina várias modalidades. O que mais te inspira a começar do zero e aprender a corrida de obstáculos?

Acho que é realmente o desconhecido, o novo. O pentatlo tem essa proposta do atleta completo que sabe fazer diversas coisas e essa é uma modalidade que eu ainda não sabia. Com certeza experienciar essa coisa nova e testar o meu corpo mais uma vez é o que mais me inspira. É o desafio que mais me inspira, o desafio de me mostrar que eu também sou boa nessa modalidade nova.

Qual é o legado que você gostaria de deixar para o esporte brasileiro com esse projeto?

Eu realmente quero muito ver o crescimento do pentatlo dentro do Brasil. Acho que a gente tem atletas muito talentosos, uma capacidade humana muito grande e a pista de obstáculos é a base para isso. A gente tem excelentes técnicos e agora a gente precisa da estrutura – o que eu mais sinto falta, principalmente quando a gente vai pra fora e vê a estrutura dos outros atletas, o quanto eles têm de material disponível: piscinas, pistas de obstáculos… os outros países têm isso há dois anos, que significa que já estão dois anos na minha frente em treinamento dessa modalidade nova. A gente começou agora, então realmente a estrutura faz diferença. Crianças tem vindo ver a pista e gostam muito dessa modalidade nova, então quem sabe não seja o início de um crescimento exponencial do pentatlo no Brasil.

Como uma jovem atleta, mulher, como você se organiza financeiramente? Você teve alguma orientação, gosta do assunto? 

Houve uma época que eu até tentei estudar a parte de investimentos, mas a verdade é que as pessoas complicam um pouco, então não tenho muito conhecimento. Mas gosto do assunto! Nesse momento, a minha organização é mais mensal, grande parte do dinheiro que eu recebo, hoje, é reinvestido na minha carreira de atleta.  

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