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Irmãos de pista, parceiros de sonho

Irmãos de pista, parceiros de sonho

João e Augustinho mostram como o apoio da família e a união entre irmãos podem transformar um esporte improvável para brasileiros em um projeto de vida.

Por Giulia Amendola

Crescer com um irmão que compartilha o mesmo esporte pode significar competição constante. Para João e Augustinho, porém, a relação sempre foi o contrário disso: parceria. Nas pistas de snowboard ao redor do mundo, os dois descobriram cedo que o maior adversário não estava ao lado, mas dentro de cada um e que dividir a jornada tornava o caminho mais leve.

Representantes de um esporte ainda pouco conhecido no Brasil, eles vivem entre viagens, treinos intensos e o desafio de construir uma carreira em uma modalidade que exige estrutura fora do país. Mesmo assim, seguem movidos por algo que vai além das medalhas: o desejo de mostrar que brasileiros também podem sonhar alto, mesmo quando o cenário é a neve.

1) Vocês dividem o esporte e a vida. Como é crescer, competir e sonhar lado a lado, sem que isso vire comparação ou pressão?

 Augustinho: Na verdade, a comparação sempre vem de fora. E é bom sempre ter alguém do teu lado que entende e vivencia as pressões de competir e de querer melhorar no esporte.

João: Para nós, ser irmão é ter um parceiro de treino garantido. Em vez de competir um contra o outro, a gente se puxa para cima. Se um acerta uma manobra nova, o outro se sente capaz de fazer também. A nossa conexão torna o esporte mais leve, porque sabemos que, independentemente do resultado, temos o apoio um do outro dentro e fora das pistas.

2) João, o que os Jogos Olímpicos da Juventude mudaram na sua visão de futuro?

Mudou totalmente a minha mentalidade. Percebi que todo o esforço nos treinos realmente dá frutos. Entendi que, quanto mais eu me dedico à preparação, melhor é o meu desempenho na hora da descida. E, o mais importante: essa lição não serve só para o snowboard, mas para a vida toda.

3) Augustinho, como foi para você participar de Milão-Cortina?

Se eu tivesse que encaixar todos os sentimentos em poucas palavras, seria: a maior experiência da minha carreira. Porque sempre tinha a dúvida na minha cabeça se realmente valeria o esforço e os sacrifícios, não só meus, como também da minha família para eu estar nesse momento. E realmente valeu a pena.

4) O snowboard é pouco previsível no Brasil, as pessoas ainda têm pouco conhecimento sobre os atletas em um país tropical. O que vocês acham que poderia ajudar nessa amplificação do esporte?

Augustinho: Acho que as redes sociais e as entrevistas são as melhores formas de alcançar o público brasileiro. Nosso time coloca muito trabalho por trás das nossas redes sociais para tentar alcançar o Brasil.

João: Acreditamos que falta mais exposição na TV e nas redes sociais para que as pessoas nos conheçam melhor. Além disso, ter mais pistas de snowboard e esqui indoor no Brasil ajudaria muito, facilitando o acesso de quem quer começar sem precisar viajar para fora do país.

5) Na parte de finanças, como vocês se organizam, pensando no futuro e no investimento que precisam fazer na própria carreira?

Augustinho: A ajuda da minha mãe, da Confederação Brasileira de Desportos na neve (CBDN) e do Comitê Olímpico brasileiro (COB) é fundamental para o nosso desenvolvimento no esporte. Mas chega um momento em que todos os atletas precisam ter um próprio suporte financeiro, seja por patrocínios ou trabalho, e é exatamente esse apoio que estamos buscando neste momento para seguir evoluindo na carreira.

João: Para falar a verdade, nossa mãe é quem cuida da maior parte das contas e do planejamento! 😅 Ter esse suporte dela é essencial para que a gente consiga focar 100% nos treinos e nas competições, sabendo que a parte burocrática está em boas mãos.

6) Em momentos de queda, lesão ou frustração, onde vocês encontram força para continuar?

Augustinho: Nossa família é a que sempre está nesses momentos difíceis. Com a ajuda da minha mãe e do meu irmão, é que eu consigo seguir, mesmo com dor ou com insegurança.

João: A gente se recupera com a música, mantendo a rotina em dia e contando com o apoio dos amigos. E, claro, tem sempre aquele “empurrãozinho” (e os gritos!) da nossa mãe para não deixar a gente desanimar.

7) Que legado vocês sonham construir juntos, não só como atletas, mas como irmãos?

Augustinho: O legado de que, com suporte familiar, esforço, dedicação e foco, não tem meta que não seja alcançável.

João: Queremos ser lembrados como os irmãos que provaram que brasileiros podem, sim, ser gigantes no snowboard. Nosso sonho é abrir portas para outros jovens e mostrar que a união da família é a base para conquistar qualquer pódio no mundo. 

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