Por Giulia Amendola
Lorena Comparato não cabe em uma única definição. Atriz de trajetórias múltiplas, ela transita entre o cinema, a televisão, o teatro e os novos formatos com a mesma intensidade com que vive, sempre em movimento, sempre em busca de mais. Ao longo de quase duas décadas de carreira, construiu um caminho marcado pela versatilidade, pela entrega e por uma inquietação que parece não dar trégua.
Mas, por trás da multiplicidade de personagens e projetos, existe também uma mulher que lida com as contradições de quem escolheu viver da arte: a pressão por constância, a instabilidade financeira, o cansaço físico e emocional e a dificuldade de parar. Nesta conversa exclusiva, Lorena reflete sobre escolhas, limites, coletividade e o desejo, ainda insaciável, de continuar contando histórias que importam.
Você vive uma fase de muitos projetos, linguagens e formatos diferentes, do cinema à série, do audiovisual ao audiolivro. O que essa multiplicidade de trabalhos diz sobre quem você é hoje como artista e como mulher?
Eu tenho uma percepção de que absolutamente tudo que eu vivi me fez chegar até aqui. Eu vivo com uma energia incansável, mas ao mesmo tempo cansada. Geralmente emendo um trabalho no outro, concilio tudo com o núcleo criativo CIA de 4, do qual faço parte há mais de 15 anos, e amo MUITO o que eu faço. Sempre gostei de ser reconhecida como uma atriz versátil, “aquela atriz camaleônica”, amo! Gosto de variar de cinema à TV, do teatro às novas mídias, fugindo do tédio e me jogando na criatividade e intensidade que é a vida de uma artista inquieta. Acho que essa multiplicidade diz muito sobre essa minha inquietude e hiperatividade física e mental. Me sinto poli, me sinto muitas e insaciável. Quando me perguntam o que ainda é um sonho realizar, penso numa imensidão de possibilidades de personagens e trabalhos que posso fazer até ser centenária. Amo ser reconhecida como a Geise, de Impuros, no Disney+/SBT, traficante latina americana, mãe, leoa e poderosa. Brinco sempre com quem fala na rua “é a mulher do Evandro?”, eu respondo: “não, o Evandro é que é meu marido” em uma esperança e luta pras minhas personagens não terem só seus arcos dramáticos ligados em homens, mas sem conseguir muito fugir. Ao mesmo tempo tem a Gláucia, de Rensga Hits, no Globoplay, cantora sertaneja em ascensão, e agora a Maria Carmen, personagem de 11 anos do audiolivro Se Deus Me Chamar Não Vou, de Mariana Salomão Carrara. Também amo a vendedora de bijoux Narcisa Aparecida de Volte Sempre, do Multishow, a Lídia do mais novo filme de Wagner de Assis, Advogado de Deus, e em breve Elize Matsunaga, na Netflix. Essa multiplicidade me sacia e me emociona olhar pra trás e ver o tanto que já realizei até aqui. Agora… Sinto que falta tempo pra tudo que ainda sonho em realizar, mas esse sentimento vem com uma ansiedade que me acompanha sempre e uma luta contra a “perda de tempo” que é dormir, descansar, relaxar. Acho que isso é um mal da nossa sociedade moderna, a culpa do ócio e para nós artistas, a pausa é essencial. Pro humano em geral. Comparo meu trabalho com quem vive embarcado: nosso mergulho é tão profundo alguns meses, 6 dias na semana, 12h por dia, que quando termina, precisamos de meses distantes, até pra esvaziar. Como artista planto muito e colho muito. Mas como mulher e pessoa, acho que podia ser mais gentil comigo. Com a minha saúde, com meu descanso. Há alguns anos tento me cuidar, me ouvir e me mimar um pouco a cada momento que dá. Porém eu me cobro demais. Sou uma mulher que não para, tô sempre ativa e por isso exausta. Essa sede de viver e realizar me faz ter dores no corpo, falta de organização com meus horários pra fazer exercício ou me cuidar, mas sempre com tempo pro trabalho ou pra ver alguém querido, que me faz falta. Ao mesmo tempo sinto que ao longo da minha carreira fui criando uma rede de pessoas que amam trabalhar comigo (e é recíproco, na maioria das vezes, rs), construindo uma possibilidade sólida de estar quase sempre com algum projeto rolando ou em vista. É claro que as entressafras ainda existem e dá muita vontade de parar de ser autônoma pra ganhar algum tipo de estabilidade. Mas também se essa estabilidade toda também não for uma garantia, prefiro continuar fazendo o que eu amo, mesmo se quiser dizer que passo meses do ano sem ganhar dinheiro nenhum. Analisando de fora a ideia de que pessoas estão sempre me convidando pra trabalhar, sinto que existe uma lealdade minha com meus projetos e equipes. Dou tudo de mim quando entro num projeto e acho que isso acaba refletindo na tela e nos palcos. Além de ao longo do caminho formar famílias de pessoas que quero e levo pra minha vida. Como criei pra minha aula de Bônus no curso da Marina Rigueira, a Fórmula Comparato diz: com Rede + Generosidade + Bom Senso, se vai longe.
Entre filmes espirituais, dramas intensos, séries populares e projetos independentes, como você escolhe as histórias que quer contar? O que precisa vibrar em você para dizer “sim” a um papel?
Acho que uma das minhas maiores dificuldades é escolher o que contar, até porque eu amo tanto histórias, que geralmente, quero contar TODAS. Vou começar pelas mais fáceis, as que eu não quero contar. Não me interessam filmes que ferem minha índole, caráter, fé e crenças. O que eu quero dizer com isso? Projetos que façam apologias a grupos extremistas, tortura animal ou algo que eu sou totalmente contra. Em geral procuro projetos que mulheres tenham protagonismo, arcos dramáticos interessantes que vão além de homens, ou a serviço de personagens masculinos. Ainda faço? Claro que sim, porque tem personagens que mesmo estando nessas condições, são interessantes e potentes. Os projetos no geral também tem que me interessar. Exemplo: se eu sou chamada pra fazer uma personagem menor num projeto que o protagonista é um chato, que não tem evolução dramática nenhuma, e minha personagem está ali apenas pra ser sexualizada, ou assediada, não me interessa em nada fazer ou muito menos ver isso. Mas até hoje eu acho que exige muita coragem do elenco dizer ‘não’ pra alguma coisa. A gente sempre quer trabalhar, e não é comum termos oportunidade sempre, então quando ela vem é muito importante ter a sabedoria de escolher quando vale a pena e quando não. Agora, acho que demorei muito tempo pra ter a auto estima forte o suficiente pra dizer ‘não’ pra o que é ruim. Porém a próxima fase eu acho mais difícil de aprender: dizer ‘não’ pra coisa boa. Isso sim dói. Às vezes tem meses que nada aparece e bate um desespero de que nunca mais vou conseguir um trabalho. Aí, DO NADA, aparecem várias oportunidades, todas juntas, nas mesmas datas e eu tenho que fazer um grande malabarismo pra conseguir fazer tudo ou dizer o fatigo ‘não’. No livro ACT, que escrevi no Mestrado em Artes Cênicas Celia Helena sobre o mercado de trabalho para artistas da cena (atenção: ainda procura de editora para lançamento), desenvolvi a anedota do Golfinho: tudo que você aceitar tem que valer a pena, pra que se aparecer uma super oportunidade, você não esteja presa num contrato inegociável fazendo um golfinho, mudo, no fundo do palco de uma peça infantil. Meu impulso natural é dizer SIM pra todos os projetos que vem. Depois dele passar pelo crivo do “me fere ou não”, passo pras datas e disponibilidades, mas muitas vezes preciso conciliar datas e eu acabo sempre me enrolando pra conseguir fazer TUDO junto, colocando na berlinda minha saúde e meu sono. Eu, de verdade, prefiro perder meu sono e fazer mais um filme bom, do que dormir, mas sei que eu preciso descansar, se não uma hora eu pifo. Acho que tenho medo do desemprego, de não “dar certo”, de entender que dificilmente um trabalho único vai me levar ao estrelato e que um trabalho consistente há quase 20 anos é o que me trouxe até aqui. Hoje em dia me encanto por histórias de mulheres potentes, seja na comédia, no drama ou no terror. Se conta uma história que gera reflexão, entretenimento, alegria e sabedoria, tá valendo. É claro que se eu puder escolher, quero contar as histórias das injustiçadas, das vingativas, das intensas, das abandonadas, das traidoras, de tantas. Tenho muita sorte de ser oferecida personagens muito interessantes sempre e emano diariamente pra isso seguir acontecendo. Que a vida me abençoe com histórias potentes que possam mudar o mundo (parece papo de miss, mas é real). A pluralidade humana me instiga demais e o que eu mais amo é causar identificação no público. Uma das coisas mais lindas da vida é ter mulheres de vários corpos, cores, sexualidades, raízes, me confessando que são a Geise, de Impuros. Se com meu trabalho consigo fazer um espelho e alcançar o coração e essência de alguma delas, gerando esperança, força e luz, acho que tô no caminho certo.
Você faz parte de um coletivo de mulheres que escreve, produz e cria juntas – a Cia das 4 Mulheres. O que muda quando as mulheres passam a ocupar não só a frente da câmera, mas também os bastidores e as decisões criativas?
São 15 anos sendo sócia em um casamento profissional de sucesso com Andrezza Abreu, Anita Chaves e Karina Ramil formando a Cia de 4. É uma das maiores dádivas e orgulho poder dizer que estamos há tantos anos criando e produzindo juntas. Tivemos várias fases: esperançosas, realizadas, frustradas, estressadas, animadas e isso segue variando a cada fase das nossas carreiras, mas sempre juntas e acompanhando a evolução uma da outra. A cada realização pessoal, mais a nossa companhia cresce. Fomos aprendendo a canalizar nossas energias pra criação e quanto mais o tempo passa, mais a gente se organiza. Nosso sonho, claro, é conseguir realizar um projeto da Cia atrás do outro, mas infelizmente ainda não chegamos lá. Gostou do “ainda”? Tá aí de propósito. Segue sendo nosso sonho. Temos uma carteira de projetos variados de comédia ao thriller, de filme de aventura a séries sobre o amor, de série a podcasts.
Pra nós é de extrema importância ter mulheres em posição de poder nos nossos projetos e ao nosso redor e é por isso que durante toda nossa trajetória sempre fizemos questão de chamar mulheres plurais, múltiplas e potentes pra trabalhar em parceria com a Cia de 4. Graças a mulheres muito maravilhosas, realizamos nossas ideias até hoje. Estamos juntas há tantos anos que no começo nem sabíamos que éramos feministas. Quando olhamos pra trás nos damos conta de como nossa construção se deu toda baseada em sororidade, na união das mulheres e valorização do discurso feminino como importante, essencial, universal e reprimido pelo patriarcado. Notamos que nossa voz era colocada de lado e que juntas, nossa voz era mais forte. Mas mulheres juntas, infelizmente não necessariamente garante nem a paz, nem o sucesso. Mulheres são pessoas e pessoas, independente de gênero, tem gênios diferentes que se batem ou não. Pra mim, o casamento perfeito e duradouro é o que dura. É o que independente dos percalços, defeitos e privilégios, segue sendo uma escolha diária. Nós da companhia, mesmo vivendo momentos de frustrações, nos escolhemos todos os dias e passamos pela dificuldade que é praticamente realizar projetos dos outros pra poder financiar os nossos. É claro que volta e meia vem um questionamento: se fossemos um grupo de boys, será que muitos mais dos nossos milhares de projetos já teriam se realizado e sido valorizados? (uma breve citação a Beyonce “If I Were A Boy” e Taylor Swift “The Man”) Fica aí a reflexão. Em 2025 lançamos TEIA, primeiro curta-metragem da Cia de 4, dirigido pela Claudia Castro e co-produzido pela Raccord. Nós escrevemos, co-produzimos e atuamos, essa sátira thriller psicológica que estreou com louvor no Festival do Rio. No nosso filme contamos a história de Olívia, seduzida por uma seita moderna a entrar num esquema financeiro, pagando muito caro por isso. O preço? Você só vai saber se assistir o filme. Nossos projetos costumam ter um tom ácido e amamos a dramédia. Acho que nossa essência é rir pra não chorar, dando uma profundidade a uma comédia moderna e critica. Agora estamos fazendo todo circuito de festivais internacionais e nacionais com o filme. Nossa meta é, depois de viajar bastante, entrar em algum streaming. O filme, além de ser uma crítica social ácida, é nosso jeito também de empregar o máximo de mulheres possíveis e ao mesmo tempo colocar o dedo na ferida daquelas que se aproveitam do divino sagrado feminino que é tão sagrado pra gente. Tenho um orgulho gigantesco de tudo que realizamos até agora e tenho certeza que ainda vem muita coisa boa por vir. Além da parceria com as de 4, também tenho uma produtora com as minhas irmãs, a também atriz, diretora e produtora Bianca Comparato e a produtora cultural, poeta e cientista política Fabiana Comparato, chamada 3C Produções. Nela prestamos serviços artísticos e temos projetos sociais, como o Cinema de Fachada, projeto cultural liderado pela Fabi e Bibi, levando o cinema pra muitos espaços do nosso país. Admiro cada um dos projetos que elas todas realizam. Quanto mais perto eu fico de mulheres que admiro, mais me sinto potente e passível da admiração. Aprendo demais com cada uma delas e sinto que a cada interação, me torno uma mulher melhor. E elas me instigam e me empurram a me desafiar. Um dos nossos próximos passos como companhia é um curta que eu estréie como diretora. Já sei que vai ser uma aventura e tanto.
O que muda quando mulheres como minhas sócias e minhas irmãs e eu tomam conta do criativo, da narrativa e da execução, é a mudança do ponto de vista. Tô exausta de histórias com perspectivas masculinas e nada identificáveis pra mais da metade da população. Vejo Renata Correa, Rosane Swartzman, Michaela Cohen, Tina Fey, Heloísa Perissé, Shonda Rhimes, Ingrid Guimarães, Maria Gal, Claudia Sardinha, Sol Miranda e tantas outras mudando o rumo das nossas histórias, contando e dando vida a mulheres que não sossegam e tem suas falhas humanas, como todas nós. Tem coisa mais emocionante que isso do que ver a ascendência dos reprimidos (ou seria a ascendência das reprimidas)? Unidas e tomando as rédeas da vida e a liderança do jogo. Saúdo cada uma dessas artistas maravilhosas que fazem isso diariamente e depois de tanto falarmos de empoderamento, já sabemos quem somos, e se não sabe e tem dúvida de ser? Junte-se às suas e crie o caminho. Ele não vai ser entregue de bandeja pra você, infelizmente. Mas parcerias podem capinar um caminho estruturado e lindo.
Viver da arte exige também lidar com incerteza, espera e instabilidade. Como você cuida da sua saúde emocional e da sua fé em si mesma quando o futuro ainda está em aberto?
Uma das coisas que mais me segura nessa profissão é a fé: fé que vai dar certo; fé que eu tô no lugar certo, na hora certa; fé que as boas oportunidades vão me encontrar; fé que o que tiver que acontecer, vai acontecer; fé de que se não for meu, é porque não era pra ser; fé de que eu posso sonhar, que a vida vai me presentear; fé de que tudo que eu quiser, o “cara” lá de cima vai me dar (será mesmo que é um cara?). A instabilidade é um dos meus maiores pesares da profissão. Queria ser uma herdeira, que não precisasse trabalhar pra pagar boletos e pudesse financiar meus próprios trabalhos. Mas isso não é a minha realidade. Preciso trabalhar pra não só pagar minhas contas agora, mas criar um bom pé de meia que segure minhas pontas nos momentos que eu não tiver trabalhando, quer dizer, tiver trabalhando (porque eu sempre tô ralando muito, mas sem ter entrada de dinheiro necessariamente). Minha meta é juntar o suficiente pra ter uma vida confortável e que meus investimentos trabalhem por mim. Aprendi na marra a cuidar do meu dinheiro e a fazer dinheiro em alguns bicos que não tinham nada a ver com arte pra me sustentar como atriz: fazer os cursos que queria, viver e frequentar lugares culturais. Tive muitas ajudas ao longo do caminho, como meus pais que investiram muito na minha educação, pessoas queridas que me estenderam a mão e uma madrinha que pagou pela minha faculdade junto com a minha mãe. Minha forma de retribuí-las é repassando essa generosidade e ajudar quem tem o mesmo sonho que eu. Pra essa nova leva de artistas eu desejo resiliência, paciência e sabedoria. Pra aguentar o rojão de ser artista (as longas esperas, os períodos de desemprego, a falta de certeza e o mercado injusto e preconceituoso) eu recomendo muito o tratamento psicológico. Não sei o que seria de mim se não fossem todas as profissionais que me atenderam e me cuidaram (inclusive as minhas diversas médicas). Posso me considerar uma médica da alma, por ser artista, mas sem as médicas da saúde, eu não seria ninguém. Hoje faço um acompanhamento psicológico com a psiquiatra Cecilia Gross que tem a maior paciência pros meus horários instáveis, me atende, independente do fuso horário e me ajuda a me manter sã dentre tantas mulheres dentro de mim. Cecília foi consultora psicológica da série que eu fiz no Disney+ e infelizmente saiu do catálogo, chamada Não Foi Minha Culpa, que denunciava vários tipos de feminicídios (crime que só aumenta no Brasil). Nosso tratamento durante a feitura do filme sobre Elize Matsunaga, que deve ser lançado ainda esse ano na Netflix, foi essencial. Assim como quando preciso lidar com a frustração de um projeto não acontecer, como foi com a quarta temporada de Rensga Hits, ou a espera eterna pela próxima temporada de Impuros (amantes da série vão entender, rs).
Entre o amor à distância, o trabalho intenso e tantas transformações, o que hoje é essencial para você se sentir inteira, em casa, mesmo estando em tantos lugares ao mesmo tempo?
Complexa essa pergunta. Talvez ela seja difícil pra mim porque eu tô o tempo todo fazendo ela: como achar uma estrutura, uma casa, sem ter um porto seguro pra onde voltar? Acho que a resposta é que tenho achado vários lugares pra chamar de lar: seja no meu apartamento no Rio, na casa do meu namorado em Los Angeles, em São Paulo ou num quarto de hotel em alguma cidade que esteja trabalhando. Acho que o que mais me faz bem é tentar encontrar uma certa rotina em meio a uma vida totalmente sem rotina. Boas noites de sono, bons cafés da manhã, refeições saudáveis, estar mais perto da natureza, tentar fazer exercício, frequentar a cultura da cidade, estar com pessoas queridas, tudo isso me faz mais inteira em qualquer lugar. A parte que mais me dói com tantas viagens é a distância de quem eu amo, mas ao mesmo tempo são justamente essas pessoas que me dão a sensação de ‘voltar pra casa’ quando eu tô longe de casa. Em cada lugar, vejo que as pessoas me dão essa sensação de pertencimento e viajar tanto me traz uma liberdade infinita. Porém, cansa, e muito, viver com as roupas em malas e até não saber mais onde tão as suas coisas. Quando o calo aperta, a saudade bate forte ou a tristeza vem, tento me lembrar do que aprendi viajando de avião: quando a nave decola num dia chuvoso ou nublado, parece que o céu tá todo coberto de uma escuridão infinita; mas quanto mais ele sob e rompe as nuvens, a gente descobre que em cima de um céu chuvoso, existe um céu azul clarinho e quente, iluminado pelo sol. O que aprendi viajando pra lá e pra cá de avião é que é tudo uma questão de perspectiva e a tormenta uma hora passa. A vontade de ir, fica mais forte que a de ficar. A saudade de um lugar aumenta toda vez que você fica mais tempo longe, mas diminui quando você chega. E o ideal, é aproveitar muito cada momento que eu tenho, com cada pessoa, em cada lugar, porque eu quase nunca sei quando eu vou voltar, mesmo sabendo que um dia eu vou. Tudo sempre passa, então antes de passar, quero aproveitar ao máximo.


