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O pequeno guia do que não fazer em um primeiro encontro 

O pequeno guia do que não fazer em um primeiro encontro 

Honestidade emocional e menos performance.

Por Pedro Pirim Rodrigues

Existe uma expectativa que gira em torno de um primeiro encontro. Como se, em poucas horas, a gente precisasse provar que é interessante, inteligente, engraçado, bem resolvido, emocionalmente disponível, mas não demais, misterioso, mas não distante, seguro, mas não arrogante. Um verdadeiro malabarismo de versões de nós mesmos. Já ouvi algumas pessoas brincarem que hoje em dia o “primeiro date” parece até uma entrevista de emprego – uma espécie de amor capitalista, utilitarista, que está mais interessado no que eu posso ganhar com isso, do que com quem vou me querer me relacionar no longo prazo por amor – simplesmente.

Então o primeiro ponto desse guia seja simples: não transforme o encontro em uma performance ou em uma entrevista de emprego com hora de entrada e saída. Não entre para apresentar uma versão editada de si, mas sim para conhecer a outra pessoa. Se você apresentar um trailer de quem você é, o que você vai receber vai ser exatamente isso – 3 minutos de uma pessoa que no longo prazo não se sustenta.

Até onde eu sei e do que eu já estudei, entendo que a gente não se apaixona exatamente pela outra pessoa, mas pela ideia que cria sobre ela. E, se formos honestos, o outro também não está se apaixonando exatamente por você, está se apaixonando pela versão que você apresentou naquele contexto. Duas ficções tentando dar certo. E aí fica difícil, porque a vida real chega e a conta também.

Por isso, o segundo ponto aqui é: não tente acertar o tempo inteiro. A gente foi treinado para causar boa impressão, para ser escolhido, para não errar. Mas nenhum relacionamento é sustentável com acertos constante. Se sustenta na capacidade de lidar com o que não é perfeito. E isso começa muito antes do “depois”. Começa na honestidade emocional de quem você é, do que sente.

O que nos leva a um terceiro ponto importante: não esconda completamente a sua imperfeição. Existe uma diferença grande entre se expor de forma desorganizada e se mostrar de forma honesta. Dizer que está nervoso, que não sabe muito bem como agir em primeiros encontros, que às vezes se sente meio perdido… isso não deveria ser ruim – mas quem está disposto a fazer isso? Amar alguém é, inevitavelmente, aprender a lidar com aquilo que naquela pessoa também é difícil – até porque a gente é meio espelho e logo se reflete. Se a gente esconde quem é, desaparece no meio do caminho. Vale a pena dizer que “ser quem é” não é algo imutável. As pessoas mudam. Nós mudamos. Começar sabendo disso é um ótimo passo para alinhar expectativas.

Outro erro comum: transformar o encontro em uma entrevista. Perguntas certas, respostas certas, checagem de compatibilidade, como se fosse possível decidir ali, em tempo real, se aquela pessoa “serve” ou não para a sua vida. Existe uma ansiedade quase corporativa de transformar um encontro em diagnóstico. Mas talvez um primeiro encontro não seja sobre concluir nada. Seja sobre perceber. Menos “isso vai dar certo?” e mais “como eu me sinto aqui?”. Mas não… a gente ta tão ansioso pra dar certo (ou errado) que quer jogar todas as mãos de uma vez para cobrir qualquer espaço.

Não force uma conexão. Nem toda conversa vai fluir, nem todo silêncio precisa ser preenchido, nem toda pessoa vai encaixar. E tudo bem. Às vezes a ausência de conexão já é, por si só, uma resposta. O problema é quando a gente insiste em fazer dar certo mais por vaidade do que por verdade. Não tente impressionar mais do que se conectar. Não tente controlar mais do que sentir. Porque no fim, um primeiro encontro não deveria ser um teste. Nem uma vitrine. Nem um pitch. Deveria ser só um espaço, raro, inclusive, onde duas pessoas, desconhecidas, se permitem existir na frente uma da outra por algumas horas. Sem garantia de continuidade, sem promessa de futuro, mas com a possibilidade, ainda que pequena, de algo verdadeiro começar. Só que com o tempo a gente esquece que não é sobre encontrar a pessoa certa. É sobre permitir que a pessoa real apareça – Inclusive você.

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