Por Giulia Amendola
Chegar a um esporte e, em pouco tempo, quebrar recordes não é apenas uma questão de força física. É, quase sempre, o encontro raro entre história, disciplina e propósito. No halterofilismo, Gustavo Amaral (Tavin) encontrou mais do que uma modalidade: encontrou um lugar onde tudo o que vinha construindo ao longo da vida — dentro e fora da academia — finalmente pôde ganhar forma e direção.
Nesta entrevista, Tavin fala sobre a evolução em alta velocidade, o que ninguém vê na rotina de treinos, a importância da saúde mental, o papel da família e da equipe como base, e como ele se prepara financeiramente para o futuro. Uma conversa que vai além das barras e dos pesos e revela como o alto rendimento exige preparo emocional e planejamento — e como o esporte paralímpico pode ser ferramenta real de transformação, inspiração e legado.
- Você chegou ao halterofilismo há pouco tempo e já quebrou recordes. O que te fez se conectar tão rápido com o esporte?
É um esporte que eu sempre admirei e que sempre fez parte da minha vida dentro da academia desde muito jovem. O sonho de ser atleta paralímpico sempre esteve comigo, e tenho a sensação de que fui feito para essa modalidade. Quando conheci o halterofilismo, senti que era ali que eu poderia expressar tudo o que construí ao longo dos anos.
- Como foi lidar com a própria evolução em uma velocidade tão alta?
No início foi um grande desafio entender toda a técnica do movimento, que é muito específica. Ao mesmo tempo, eu já tinha uma força muito desenvolvida, o que ajudou bastante a ganhar performance rapidamente. Mas nada disso seria possível sem muito treino, repetição e dedicação diária. A evolução veio, mas veio acompanhada de muito trabalho.
- O que ninguém vê sobre a sua rotina de treinos e sacrifícios?
Ser atleta profissional exige um compromisso enorme com o próprio corpo. Além de cuidar da saúde, lidamos constantemente com os desgastes do alto rendimento. Cada fase de preparação é difícil, tanto fisicamente quanto mentalmente. Também existe o lado emocional: derrotas, inseguranças, preocupações com a carreira. A psicologia esportiva ajuda muito, mas é um processo que exige atenção, maturidade e equilíbrio.
- Em momentos de dúvida, o que te mantém firme?
O apoio da minha equipe multidisciplinar e da minha família é fundamental. Eles são a minha base nos momentos mais difíceis. Essa rede de apoio me dá força, confiança e resiliência para seguir em frente e continuar buscando evolução.
- Financeiramente, como você se prepara para o futuro?
Além da carreira como atleta profissional, busco me preparar como empresário e investidor. Penso muito no futuro, em ter estabilidade e oferecer uma ótima qualidade de vida para minha família. O esporte é minha paixão, mas também entendo a importância de construir segurança fora das competições.
- Que legado você quer deixar no esporte paralímpico brasileiro?
Quero deixar um legado de superação, profissionalismo e inspiração. Mostrar que é possível sonhar alto, quebrar barreiras e construir uma carreira sólida no esporte paralímpico. Quero abrir caminhos para que mais pessoas com deficiência acreditem no esporte como ferramenta de transformação e que o Brasil continue sendo referência no cenário mundial.


