Mariana Bezerra, diretora de produção da Voz Futura e mestra em Cultura e Comunicação
Tenho refletido muito sobre a minha saúde emocional e física ao longo dos últimos anos e, em meio a essas reflexões, parei para pensar em uma coisa.
Já reparou que a gente pode ter todos os problemas do mundo, seja aquele trabalho que já não gostamos mais, a falta de dinheiro, a briga com o irmão, as cobranças da família, as expectativas não realizadas e etc, MAS, quando a gente fica doente, tudo isso desaparece? De repente, como num passe de mágica, passamos a ter apenas UM único problema que ocupa todo o espaço da nossa vida: a nossa saúde (ou a falta dela, melhor dizendo).
Quando isso acontece, parece que os outros problemas simplesmente ficam insignificantes ou evaporam, já reparou?
E isso não é só uma sensação. Estudos em psicologia e medicina comportamental mostram que, diante de uma ameaça real ao corpo, o nosso cérebro reorganiza prioridades automaticamente. O que antes parecia urgente perde importância. O que era desejo vira detalhe. Sobreviver e recuperar o equilíbrio passam a ser o nosso centro de tudo.
Pensando nisso, eu me pergunto e te pergunto também:
Por que a gente não prioriza cuidar da nossa saúde antes de ela nos obrigar a fazer isso?
Por que seguimos colocando o cuidado com o corpo e com a mente sempre depois da nossa falta de tempo, das demandas do trabalho, da nossa vida corrida e etc? E seguimos empurrando o cuidado conosco sempre para depois.
A gente sabe que a promoção no trabalho, o emprego dos sonhos, a casa dos sonhos, o relacionamento dos sonhos, a viagem dos sonhos são importantes sim! Não estou negando isso de forma alguma, ok?! Mas fico pensando: E se, no dia em que conquistarmos tudo isso, a gente não tiver mais saúde para desfrutar? Vai ter valido a pena?
Cuidar da saúde não é um luxo ou algo que fazemos quando sobra tempo. Porque a gente sabe que o tempo não sobra! A nossa saúde é a base invisível que sustenta todas as nossas conquistas, sem ela, até os sonhos conquistados perdem o sentido.
Vamos relembrar que não existe realização possível em um corpo exausto e em uma mente adoecida? E que talvez, o verdadeiro sucesso, seja chegar lá inteiro o suficiente para aproveitar.


