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Ponto de Vista: Da paixão tardia pelo esporte a função  cupido 

Ponto de Vista: Da paixão tardia pelo esporte a função  cupido 

Como a prática esportiva virou espaço de socialização e paquera.  

Por Julia Carvalho, para a Voz Futura.

O ano de 2025 carimbou o esporte como uma forma de encontros sociais. Com  certeza você viu alguém no Instagram chamando os grupos de corrida,  espaços de escalada, ou qualquer atividade esportiva em grupo, de um novo  aplicativo de namoro.  

Foi durante uma conversa com um amigo que reclamava de não conseguir  conhecer uma namorada que Isabel Sachs teve uma ideia para movimentar a  cena esportiva em Londres.  

“Ele é um cara que faz muito esporte e passa muito tempo da vida dele fazendo  esporte. Eu falei: olha, você precisa conhecer uma pessoa que queira ter o  mesmo estilo de vida, porque não é só tipo correr de manhã e voltar pra casa,  trabalhar o dia inteiro e chegar em casa. Ele tinha um estilo de vida de viajar e  de isso ser o foco da vida dele. Eu falei: no seu caso, acho que você precisa  conhecer uma pessoa que faz coisas parecidas. Então em vez de você ficar no  aplicativo, você deveria ir num evento de tipo sporty and single people (pessoas esportistas e solteiras) e aí ele falou: não  tem, e eu: óbvio que tem, a gente mora em Londres, com certeza tem e aí ele:  não, não tem”. 

Isabel, mais conhecida como Bel, já mora em Londres há mais de dez anos. A  Bel é uma grande atleta amadora, porque ela está sempre em uma corrida ou  escalada. E confesso que fiquei surpresa quando ela me contou que nem  sempre foi assim. “O esporte entrou na minha vida muito tarde. Porque eu  cresci muito asmática e com vários problemas de saúde. Então, quando eu era  criança, eu não conseguia correr, tipo, eu não podia brincar de polícia e ladrão.  Era sempre um drama”.  

O esporte entrou de verdade na rotina da empreendedora depois de precisar  desacelerar a vida por conta de uma cirurgia em que ela praticamente teve que  reaprender a andar. 

“Foi horrível, mas foi ótimo porque eu fui obrigada a pensar: Nossa, o meu  corpo faz muita coisa por mim eu estou aqui abusando dele, sabe? E eu tinha  que acordar, ir na fisioterapia, e eu tinha que fazer reabilitação. Então a minha  rotina mudou, porque eu não podia mais ficar indo e saindo. Então eu comecei  a acordar cedo, pela primeira vez [na vida], pra ir fazer reabilitação. A  reabilitação foi da fisio para aquela bicicleta de velhinho, pra andar, pra de  repente começar a correr um pouquinho. E aí eu comecei a melhorar de saúde.  E eu comecei a ver vários benefícios e aí eu comecei a gostar. Aí virou um  hábito, mas foi literalmente na porrada”. Lembra, Bel. 

Voltando a como o Sporty & Single começou: acredite, foi depois dela pegar  uma gripe forte que fez a ideia saiu do papel. A conversa com o amigo não saia  da cabeça e fez com que ela criasse uma conta no Instagram com o nome  “Sporty & Single”, depois de compartilhar alguns memes sobre o tema ela ficou  surpresa que a página foi crescendo e com isso veio um convite de  colaboração para um evento de escalada social:  

“Tem um casal que cuida de uma comunidade de escalada social a Andy e o  Dennis. Eles me mandaram uma mensagem no Instagram falando que acharam  a ideia super legal e perguntando se eu queria conversar”.  

E foi assim que em dezembro de 2024 aconteceu o primeiro encontro do  Sporty & Single e Social Climbers Society. O resultado foi considerado um  sucesso, eles receberam cerca de 50 pessoas interessadas em escalar e  socializar:  

“Eu falei: “Meu Deus!” a gente achou que eu seriam umas 20 pessoas, sabe? E  a coisa tá andando e é um projeto totalmente comunidade, não cobramos  entrada das pessoas, as marcas dão produtos para as pessoas  experimentarem, a gente traz DJ, tem foto, eu acho super legal. Eu quase não  escalo nos eventos, eu fico lá trabalhando, você sabe, porque que você já foi,  você também fica trabalhando. Mas a atmosfera é muito legal e eu conheci  muita gente lá. Eu acho que cidades como Londres precisam de coisas assim e  eu acho no mínimo uma forma de trazer mais pessoas para o esporte”.  

O evento ainda é uma ótima forma de trazer novas pessoas para a escalada,  segundo a empreendedora, por volta de 30% das pessoas que participam dos  eventos são iniciantes. E para não contar fofoca pela metade e deixar você  curioso, a Bel contou se o amigo desencalhou ou não… 

“E enfim, ele conheceu uma namorada escalando realmente. Deu certo pra ele,  deu certo.” E ela completa: “Eu acho que você não precisa ser uma pessoa que  faça tudo igual, mas que o estilo de vida seja parecido, se uma pessoa quer o  tempo inteiro ir pra balada e outra quer sempre estar acordando às 7h da  manhã pra fazer esporte, vai ser difícil dar certo, entendeu? Pode ser que dê,  mas acho que se você se coloca em lugares onde você está interessado  naquela atividade, é mais fácil você conhecer pessoas que serão suas amigas  ou sei lá.”  

 Claro que eu não podia deixar de perguntar sobre os planos para 2026, e olha  que não é nenhuma meta extrema:  

“Olha, eu acho que o esporte já me trouxe muita coisa. É, me trouxe muitos  amigos novos, muitos contatos novos e muito aprendizado. Então eu espero só  que eu cuide bem do meu corpinho, pra ele não cair aos pedaços”, destaca a  corredora, que fez um pedido especial no e disse que não podia terminar a 

conversa sem reconhecer o incentivo da pessoa que a treinou: 

“Eu tenho a pessoa que me levou pra corrida, que sempre cuidou muito de  mim, que é o Marcos Paulo Reis. Desde que eu sou criança ele me conhece e  sempre foi a pessoa mais paciente comigo e tudo o que eu consegui fazer de  corrida foi por causa dele”.  

E a mensagem para 2026 é baseada em uma conversa que ela teve com  Marcos:  

“Eu lembro que uma vez eu fiquei nervosa, porque eu achava que não estava  conseguindo correr mais rápido. Porque quando eu dou tiro, meu pulmão às  vezes não aguenta. Ele falou, Isabel, é o seguinte, você tem que tomar uma  decisão. Você quer: correr e fazer esporte no maior nível possível por um curto  período de tempo ou você quer ter longevidade no exercício? Porque você, ele  falou, o seu corpo, do jeito que ele é, com as coisas que você tem, você  nasceu, ele é ótimo, porém ele tem limitações. Se a gente aceitar essas  limitações, você tem duas opções: Se você for pegar muito pesado com ele,  tudo que a gente viu até agora indica que o seu corpo não vai aguentar, que  isso é um ritmo que o seu corpo não aguenta. As pessoas são feitas diferentes,  então você tem que escolher. Você quer longevidade, a gente vai trabalhar para  isso”.  

E essa conversa marca Bel até hoje: “É Isso entendeu? A gente tem que cuidar  do seu corpo, entender quais são os seus limites e trabalhar dentro deles para  você fazer o seu melhor, entendeu? E isso foi ótimo, então eu pretendo, acho  que só continuar essa mensagem e não me estropiar para poder continuar  fazendo as coisas que eu gosto de fazer”.  

É isso, espero que esse texto inspire você a ir praticar exercício, fazer novos  amigos e, quem sabe, encontrar sua alma gêmea… 2026 promete! 

Obrigada por ler até aqui e nos vemos no próximo texto 🙂

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