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Entre a segurança e a liberdade

Entre a segurança e a liberdade

O caminho do meio

Por Igor Monteiro, consultor de aprendizagem corporativa e especialista em design instrucional

Liberdade e segurança.

Definições opostas. Desejos essencialmente humanos e invariavelmente conflitantes. 

A vontade repentina de largar tudo, apostar no sonho de conhecer o Mundo e colecionar histórias. O receio de deixar para trás a rotina, os amigos, a família. 

O sonho antigo de empreender, frequentar novos ambientes, respirar novos ares, abrir o próprio negócio e se atirar nessa adrenalina da incerteza sem tantas garantias. 

A garantia de que os boletos chegarão todos os meses – e o trabalho atual não é dos melhores, mas dá conta deles. 

Liberdade e Segurança. 

Temas centrais de boa parte dos dilemas e das escolhas pessoais mais relevantes das nossas vidas modernas. Assim propõe o filósofo Bauman em “Modernidade Líquida”. 

Liberdade e Segurança – e a nossa Felicidade em algum lugar no complexo e instável equilíbrio entre as duas. 

O preço de se sentir livre

Conseguir um bom emprego com alguma estabilidade. Casar e ter filhos. Construir uma família. Comprar um carro e uma casa própria. Viajar eventualmente para algum lugar legal nas férias. Se aposentar e curtir um pouco mais o que foi conquistado. 

Por alguns anos, há não tanto tempo assim, essa poderia ser uma lista até bem completa dos principais sonhos de muita gente. 

De uns tempos para cá, o mundo mudou. Mudou muito – e rápido. 

Desenvolveu tecnologias antes impensáveis. Se conectou. Encurtou distâncias. 

Apresentou novas possibilidades. 

Redes sociais trataram de expor estilos de vida novos e encantadores. 

Destinos paradisíacos e carreiras que fugiam do tradicional. Interessante. 

Aquela lista de sonhos de antes, foi se transformando.

Só poderia ser um indicativo de que o Mundo estava nos oferecendo oportunidades reais de sermos mais livres. 

Mais gente resolveu empreender. Arriscar e tirar projetos antigos do papel. 

Caminhos que, de repente, pareciam muito mais claro que antes. 

Houve ainda quem foi viajar o Mundo. Nunca foi tão fácil pegar um avião e “se virar” com empregos temporários ou trabalhos remotos em qualquer outro país. Nômades viabilizados pelas tantas soluções digitais.

Outros tantos se aventuram a viver de criar conteúdo. Encontraram seus nichos. Se tornaram referências e autoridades em seus temas específicos. 

Tantos novos modelos de vidas possíveis.

O Mundo moderno parecia nos empurrar a abraçar algumas liberdades antes impensadas.

Novas realidades dinâmicas e sem tanto espaço para a monotonia ou tédio. 

Mas tendo sempre nas entrelinhas um importante custo embutido, bem difícil de pagar: 

a segurança. 

A valiosa segurança

Você acordou após uma daquelas noites de sono reparadoras na sua cama de sempre. Os mesmos travesseiros e edredon – e a mesma roupa que parece perfeitamente ajustada ao seu corpo. 

Levantou, preparou seu café preferido. Leu um livro do seu autor do momento na poltrona que há uns 5 anos acompanha essa sua rotina. Mais uns minutos, como de costume, as pessoas com quem você vive também acordam – e mais um dia começa para a casa inteira, como tem sido. 

Vai para o trabalho, reencontra os amigos com quem divide projetos, tarefas e histórias há tempos. Há incertezas sobre a gestão de um negócio ou o crescimento daquela empresa que nem sequer passam pela sua cabeça. Melhor que seja assim. 

Volta para casa – para viver ou a solitude que aprecia ou a presença daqueles com quem divide seu calendário. 

Um delicioso dia comum. 

A preciosa segurança de que seus próximos dias dificilmente fugirão muito daquela regra. 

Acordar no mesmo lugar. Dormir no mesmo lugar. Conviver com as mesmas pessoas importantes. Consolidar um trabalho de profundidade numa certa área ou mesmo empresa.

Para alguns “zona de conforto”. De fato, pouco mais segura – e inegavelmente valiosa. 

E sim, pode um dia bater essa vontade de jogar tudo para o alto e começar algo totalmente novo. Viver a tal liberdade que proclamam por aí em posts – tão atraente que tem sido a regra para a vida de tantos lá fora. 

Mas largar aquela previsibilidade? Para quê? 

“Deixa eu voltar para o meu mundo” – até porque o diferente causa ansiedade, insegurança e medo. 

“A Felicidade é sua” 

Essa aqui é a melhor definição de Felicidade que já ouvi – do filósofo Pedrinho Salomão, colunista também aqui da Voz Futura. 

Se a felicidade é sua e mora nesse equilíbrio complexo entre o desejo de liberdade e o conforto da segurança, a solução para essa complexa equação também é sua. 

E não tem resposta certa nem gabarito. Mas, tem experimentação e ajuste. 

Compreender as seguranças valiosas das quais você não está realmente disposto(a) à abrir mão. 

Avaliar bem movimentos importantes de carreira e de vida para não tomar decisões baseadas no que parece funcionar bem para os outros. 

Compreender que liberdades reais não costumam ser como as idealizadas. 

Exigem ainda mais comprometimento com a rotina, organização, cumprimento de agendas e dedicação aos compromissos. No final das contas, liberdade só vem com mais disciplina. 

Por fim, não deixar que o apego por segurança demais ameace outros valores importantes, como a autonomia, a autoconfiança e a construção de uma identidade da qual se orgulhar. 

E você, já se perguntou de quais seguranças você está disposto(a) a abrir mão em nome das liberdades com as quais tem sonhado? 

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